sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Começar a escrever, esse caminho espinhoso

No workshop Escrita Habitual, vamos falar sobre o acto de começar a escrever - aquele que é tão difícil para tanta gente. Felizmente para nós, aqueles que precisam de motivação para desatar os nós da sua escrita, a dificuldade em começar a escrever assombra a vida de quase todos os grandes escritores. A diferença entre eles, que escrevem regularmente e que vivem da sua escrita, e os escritores quotidianos é que eles enfrentam esse demónio com tenacidade. A escritora chilena Isabel Allende, autora dos livros A Casa dos Espíritos, Eva Luna e A Filha da Fortuna, por exemplo, começa todos os seus livros no dia 8 de Janeiro, mesmo que no dia 7 de Janeiro tenha o pensamento em branco. No dia 8, aconteceu-lhe muitas vezes ficar horas diante da folha branca, resistindo à sua própria falta de inspiração.
Nós que queremos escrever no quotidiano, não temos essa certeza - como Isabel Allende tem há muito tempo - de que somos capazes de escrever. Por isso, onde podemos ir buscar as armas para combater o demónio que nos bloqueia? 
Começar a escrever é composto por dois actos, sendo que o começar pode ser muito mais difícil do que o escrever. Quando o escrever acontece, é porque já começamos e o pior já passou. Já percorremos uma boa parte desse caminho escuro e frio que é passar da vontade de escrever à prática da escrita. Quem gosta de escrever, quem sente a palavra escrita como a sua forma de expressão natural, sabe como esse caminho é penoso. Quando nos sentamos diante de um caderno ou de teclado, é porque vencemos um dos seus duros obstáculos - encontrar um tempo só nosso e que é só para escrever. Esse tempo é diferente para toda a gente, há quem o encontre no silêncio e na solidão, há quem o encontre na mesa de um café barulhento. 
Encontrar o nosso tempo para escrever não é, contudo, sinónimo de que vamos começar logo a escrever. Se Isabel Allende fica paralisada diante da folha branca, que diremos nós? E se fizéssemos como ela e outros escritores fazem para vencer esse monstro que mantém a nossa inspiração cativa numa prisão que parece inacessível? No Escrita Habitual, vamos falar de formas de chamar a musa e colocá-la ao nosso serviço, abrindo as portas entre as nossas ideias e sentimentos e esse mar imenso que é uma folha para escrever.

Sem comentários:

Enviar um comentário